lunes, 20 de febrero de 2017

Marfin Egnatia Bank (Primeira parte)


O texto se escreve segundo as regras do português do Brasil (pt - BR).

CHIPRE: HISTÓRIA DO FRACASSO POLÍTICO E ECONÔMICO DE UM PAÍS

O CASO MARFIN EGNATIA BANK

PRIMEIRO CAPÍTULO: A POLÍTICA DE CRÉDITO DA INSTITUIÇÃO EM FAVOR DAS GRANDES EMPRESAS E O PROCESSO DE ACUMULAÇÃO DA DÍVIDA PRIVADA GREGA 


INTRODUÇÃO

Na antiguidade clássica, o indivíduo era considerado a pedra angular do Estado cuja função principal consistia na satisfação das necessidades vitais de seus habitantes. O desenvolvimento do comércio e a adopção de técnicas econômicas cada vez mais complexas contribuíram para a transformação do "homo politicus" aristotélico num sujeito preocupado só pelo seu bem-estar material. Esta tendência tem sido levada a extremos na época actual  em que as pessoas são qualificadas como "segmentos de mercado" sujeitas à vontade da elite internacional. Nesta perspectiva se enquadra o caso Marfin Egnatia Bank (MEB), uma instituição financeira que foi criada em 2006, após a fusão de três pequenos bancos (Marfin, Laiki e Egnatia). A organização, gerida pelo administrador do conglomerado empresarial Marfin Investment Group (MIG) Andreas Vgenopoulos, tornou-se a filial grega da Marfin Popular Bank (a antiga Cyprus Popular Bank) e foi absorvida pela empresa-mãe no final de Março de 2011. Esta série de artigos visa explicar a origem dos ativos tóxicos helénicos e a sua transferência posterior para a dívida pública cipriota.



OS RESULTADOS DA INSPEÇÃO CONJUNTA PELO BANCO DA GRÉCIA E O BANCO CENTRAL DO CHIPRE (MARÇO-JULHO DE 2009)

Os problemas que afetaram a Marfin Egnatia Bank (MEB) começaram em Março de 2009, quando uma inspeção conjunta  pelo Banco da Grécia e o Banco Central de Chipre certificaram uma taxa de morosidade muito elevada, já que os dirigentes da Marfin Investment Group (MIG)  costumavam evitar aplicar as regras mais elementares sobre conflitos de interesses a fim de financiar seus próprios negócios e os de empresas estreitamente vinculadas à holding sem a obrigação de apresentar as respetivas garantias. A atividade do banco desenvolveu-se através de duas diretrizes: 

A) A concessão de créditos à Marfin Investment Group (MIG) para a aquisição de acções de empresas nacionais cuja venda constituia a garantia principal de tal operação. No entanto, o colapso no preço delas por causa da depressão econômica produzia riscos reais de incumprimento. Conforme os dados relativos ao exercício de 2008, a instituição tinha gastado 1,3 bilhões de euros para esse fim, o que correspondeu 11% da sua carteira crédito e 130% da sua base de capital (ou seja, os recursos financeiros necessários para fazer frente a eventuais perdas).

B) A concessão de créditos à Marfin Investment Group (MIG) para investimentos no mercado doméstico. Os inspectores detectaram irregularidades na formalização deles e violações sistemáticas da Diretiva sobre Mercados de Instrumentos Financeiros (conhecida pela sigla MiFID), que introduz um quadro jurídico único para o seu funcionamento nos 28 Países da União Europeia.


Vamos ver em detalhes alguns exemplos que ilustrem o círculo vicioso dessas operações:

A) Crédito sem garantias no valor de 4 milhões de euros concedido para fins de investimento ao agrupamento de empresas gregas do setor alimentar VIVARTIA controlado pela Marfin Investment Group (MIG) desde 2007;

B) Crédito no valor de 28,5 milhões de euros concedido à Marfin Investment Group (MIG) para a aquisição de ações da empresa de laticínios cipriota "Christies Dairies" pertencente ao grupo VIVARTIA desde 2007;

C) Crédito no valor de 30 milhões de euros concedido à Marfin Investment Group (MIG) para a aquisição de ações da companhia cipriota "Cyprus Tourism and Development Ltd"., que possui e gere o Hotel Hilton em Nicósia;

D) Crédito no valor de 19 milhões de euros concedido à Marfin Investment Group (MIG) para a aquisição de ações da administradora da clínica ginecológica ateniense "Litó" ligada à organização chefiada por Vgenopoulos;

E) Crédito  no valor de 220 milhões de euros concedido para fins de investimento ao centro terapêutico e diagnóstico ateniense "YGEIA S.A." que fica na órbita da Marfin Investment Group (MIG).

No seu relatório, os inspetores recomendaram melhorias substanciais em setores cruciais do banco como os de Apoio ao Crédito, Gestão de Riscos, Cobrança de Dívidas, Avaliação de Riscos de Mercado, Comércio Exterior, Rentabilidade, Política de Segurança, Controle Interno, Departamento de Informática e Controlo de Execução da Diretiva sobre Mercados de Instrumentos Financeiros (MIFID), entre outros.



OS RESULTADOS DA SEGUNDA INSPEÇÃO DA ENTIDADE EFETUADA PELO BANCO CENTRAL DO CHIPRE (2011)

1 - OS CRÉDITOS CONCEDIDOS À MARFIN INVESTMENT GROUP (MIG)

Depois da absorção de Marfin Egnatia Bank (MEB) pela Marfin Popular Bank (MPB), o Banco Central do Chipre realizou uma segunda inspeção cujas conclusões foram notificadas ao Diretor Executivo da instituição financeira Eythymios Bouloutas através de uma carta escrita na data de 24 de Agosto de 2011. As  autoridades competentes  observaram que o banco limitava-se a tapar as perdas da Marfin Investment Group (MIG), que superaram os 2 bilhões de euros ao longo de 2010 e no primeiro trimestre de 2011. Em poucas palavras, o saque consolidou-se como prática normal.

Analisemos a situação mediante alguns dados reveladores:

A) Em 2010 a Marfin Investment Group (MIG) beneficiou-se de um empréstimo sindicado (ou seja, uma operação realizada por vários bancos em favor de grandes empresas que implica somas consideráveis) em que Marfin Egnatia Bank (MEB) tinha investido 15 milhões de euros. As garantias foram representadas também por ações de VIVARTIA que na época se encontrava em apuros econômicos tão graves que deixou de cotar na Bolsa de Atenas a partir do día 24 de Janeiro de 2011. Em conseqüência, as garantias prestadas atingiram apenas 53% do montante recebido, gerando um risco evidente de incumprimento.

B) Em 2010 VIVARTIA conseguiu 403 milhões de euros através da venda da CHIPITA. Após a conclusão do negócio o grupo empresarial planejava refinanciar as outras filiais. Para este fim, foi concedido um ulterior empréstimo sindicado  em que Marfin Egnatia Bank (MEB) comprometeu-se a aportar 79,5 milhões de euros ainda que o valor das garantias não ultrapassasse os 20 milhões de euros. Também neste caso, o banco estava exposto ao risco de crédito.

C) Numa carta redigida na data de 10 de Maio de 2010,  a Marfin Egnatia Bank (MEB) garantiu à OLYMPIC AIR S.A. (a antiga companhia aérea estatal da Grécia adquirida pela Marfin Investment Group em Março de 2009)  um tratamento favorável em relação às condições de pagamento pela emissão de bônus e outros serviços bancários.

D) A Marfin Egnatia Bank (MEB) infringiu a sua política de crédito que previa que os clientes pudessem cobrar seus cheques só três dias depois da data da sua apresentação nas entidades financeiras: uma circular interna publicada em 11 de Fevereiro de 2011 permitiu às empresas vinculadas à Marfin Investment Group (MIG) acessarem o dinheiro no mesmo dia para terem a oportunidade de operar no mercado mais rapidamente. O banco deu 9.65 milhões de euros deste jeito. 


2 - OS CRÉDITOS CONCEDIDOS AO GRUPO ZOLOTAS

Em seus inquéritos, os inspectores encontraram muitos nomes célebres envolvidos nessa trama de corrupção. Um deles era o armador grego Mikhail Zolotas, uma pessoa sinistra relacionada com Vgenopoulos por interesses comerciais comuns. Através de "Focus Maritime", uma companhia de navegação de sua propriedade com sede fiscal nas Ilhas Marshall, Zolotas depositou em Julho de 2007 um milhão de euros na conta da sociedade de consultoria da filha do ex-Governador do Banco Central de Chipre Christodoulos Christodoulou cujo mandato acabava de terminar. De acordo com as informações provenientes da ilha, o alto cargo obteve a propina por ter permitido à Marfin Investment Group (MIG) adquirir em 2006 aCyprus Popular Bank apesar das irregularidades do processo. Sem dúvida, a ação do magnata do comércio marítimo pode ser interpretada como um gesto de agradecimento à organização liderada por Andreas Vgenopoulos por seu status de cliente privilegiado da Marfin Egnatia Bank (MEB).

Também nesta seção do texto é preciso mencionar alguns elementos esclarecedores para concebir as dimensões do fraude:


A) A instituição financeira injetou 600 milhões de euros em sociedades do grupo Zolotas. Quatro quintos desse montante foram destinados às seguintes empresas:
   
1) Focus Maritime (254 milhões de euros);
2) Terra Stabile - uma imobiliária com sede em Atenas - (238,9 milhões de euros).

Em Fevereiro de 2007, a Marfin Egnatia Bank (MEB) concedeu à Focus Maritime 80 milhões de euros que a entidade empregou para participar no processo de emissão de obrigações permutáveis por parte da "NewLead Holdings Ltd.", uma empresa marítima com sede em Atenas gerida por Zolotas. A quantia subiu imediatamente até 240 milhões de euros porque o armador pretendia ocupar uma posição de destaque no mercado especulativo internacional. No entanto, o banco não utilizou a alavancagem máxima que teria ampliado a diferença entre o capital livre e o usado de modo a que as perdas pudessem ser contidas nesta margem de segurança. Como Zolotas tinha investido em ienes num período em que a moeda japonesa oscilava com viés de baixa, os prejuizos não lhe consentiram mais operar nas condicões pactuadas com a Marfin Egnatia Bank (MEB) que, ao invés de travar as especulações do empresário, aumentou a sua exposição que já atingia 254 milhões de euros.

B) O convênio entre a Marfin Egnatia Bank (MEB) e a Focus Maritime não incluia o direito da instituição financeira a cobrar a dívida em euros segundo uma taxa de câmbio preestabelecida. Assim, a forte desvalorização do iene multiplicava as probabilidades de um risco de crédito.

C) As obrigações permutáveis da "NewLead Holdings Ltd." constituiam 85% das garantias. Sem dúvida, tratava-se de uma iniciativa muito arriscada já que estava sujeita ao momento econômico da empresa.

D) O valor mínimo das garantias tinha que situar-se em 100% do montante total do crédito. No entanto, apenas alcançou 40%.

De acordo com as estimativas dos funcionários do Banco Central do Chipre, a Marfin Egnatia Bank (MEB) pôde sofrer perdas no valor de 220 milhões de euros devido a todas essas práticas ilícitas.


3 - OS CRÉDITOS CONCEDIDOS AO GRUPO KOUMBAS

Entre os ilustres devedores se encontra também Georgios Koumbas, um empresário que tinha dominado o mercado dos seguros na Grécia durante os anos 90. O magnate contraiu vários créditos no valor de 100.95 milhões de euros que nunca foram devolvidos. Para amenizar esta situação insustentável, o banco adquiriu por 8,8 milhões de euros a "B.E.K. S.A.", uma entidade do grupo Koumbas que se ocupava de investimentos em imóveis de uso comercial convertendo-a na sua filial. A transação realizou-se num preço inferior ao da avaliação, mas esse dado foi apagado das contas oficiais da Marfin Egnatia Bank (MEB) no dia 31 de Dezembro de 2010. Assim, a instituição financeira perdeu 6.729 euros.


4 - OS CRÉDITOS CONCEDIDOS AO PRESIDENTE DO BANCO DO PIREU MIKHAIL SALLAS 

No início de 2011, o Banco do Pireu tinha anunciado um aumento de capital e seu todo-poderoso Presidente Mikhail Sallas conseguiu um crédito no valor 113 milhões de euros por parte da Marfin Egnatia Bank (MEB). O dinheiro foi depositado em três empresas offshore cipriotas (KAEO Enterprises, Shent Enterprises e Benidver Investments) pertencentes ao banqueiro e seus dois filhos e, foi usado  inmediatamente para que Sallas incrementasse a sua cota de participação na instituição financeira. As garantias consistiram num bônus de 7,5 milhões de euros emitido pelo Banco do Pireu e em ações dessa entidade no valor de 66,2 mil milhões de euros. Porém,em 2012 o preço delas tinha diminuido notavelmente por causa da grave crise económica que afectava a Grécia. De acordo com os cálculos dos inspectores do Banco Central de Chipre, a dívida de Sallas tinha se elevado até 87,8 milhões de euros que a Marfin Egnatia Bank (MEB) nunca recuperou.

Tal operação foi favorecida pela estreita relação entre as pessoas implicadas: em 2001 Sallas introduziu Vgenopoulos no mundo das finanças vendendo-lhe a PRIME BANK, e em Março de 2010 a Marfin Investment Group (MIG) emitiu um bono pelo valor de 252 milhões de euros que atraiu principalmente o interesse de empresas ligadas ao dirigente máximo do Banco do Pireu. Nos negócios, os "amigos" não se declaram guerra e privatizam seus lucros, enquanto as perdas se socializam ......

No próximo capítulo vamos continuar a análise sobre a acumulação da dívida privada grega.


Antonio Giovetti


Imagens:  moneyexpertgr.files.wordpress.com, 4.bp.blogspot.com,roulismaroulis.files.wordpress.com



Fontes

http://www.koutipandoras.gr/article/daneia-ston-eayto-toy-kai-toys-synetairoys-toy-edine-o-vgenopoylos

https://politis.com.cy/article/moiraze-kai-cash-i-focus

http://www.dealnews.gr/roi/item/169508-M%CE%B9%CF%87%CE%AC%CE%BB%CE%B7%CF%82-Z%CE%BF%CE%BB%CF%8E%CF%84%CE%B1%CF%82-O%CE%B9-%C2%AB%CE%BA%CF%8C%CE%BA%CE%BA%CE%B9%CE%BD%CE%B5%CF%82%C2%BB-%CF%80%CE%B5%CF%81%CE%B9%CF%80%CE%AD%CF%84%CE%B5%CE%B9%CE%B5%CF%82-%CF%84%CE%BF%CF%85-X%CE%B9%CF%8E%CF%84%CE%B7-%CE%B5%CF%86%CE%BF%CF%80%CE%BB%CE%B9%CF%83%CF%84%CE%AE#.WHfpTdLhDow

http://mignatiou.com/2014/02/o-vgenopoulos-vlepi-ton-pinokio-ston-kathrefti-apanta-i-vouleftis-irini-charalampidou/

http://www.capital.gr/epixeiriseis/3093316/pos-eftase-sto-kanoni-ton-140-ekat-i-koumpas-summetoxon

http://www.bloomberg.com/research/stocks/private/snapshot.asp?privcapId=9384177

http://www.bloomberg.com/research/stocks/private/snapshot.asp?privcapid=32750070

http://www.protothema.gr/greece/article/597823/kupros-katahorithike-to-katigoritirio-gia-dorodokia-tou-proin-dioikiti-tis-kedrikis-trapezas/

http://www.koutipandoras.gr/article/ekdidetai-sthn-kypro-o-zolwtas

http://www.enet.gr/?i=news.el.article&id=372196

http://www.koutipandoras.gr/article/m-sallas-agorase-tin-laiki-trapeza-stin-opoia-hrosta-ekatommyria-eyro

http://teddygr.blogspot.com.es/2015/06/15.html

http://www.newsit.com.cy/flash/porisma.pdf

https://www.bloomberg.com/quote/NEWL:US

http://www.hellashouses.gr/en_GB/users/userHome/userId/402/Construction-company/Terra+Stabile

http://mononews.gr/vgenopoulos-enas-epithetikos-ke-drastirios-epichirimatias-pou-iche-pollous-filous-ke-pollous-echthrous/88747 


domingo, 19 de febrero de 2017

Υπόθεση MEB (A' μέρος)


ΚΥΠΡΟΣ: ΤΟ ΧΡΟΝΙΚΟ ΤΗΣ ΠΟΛΙΤΙΚΗΣ ΚΑΙ ΟΙΚΟΝΟΜΙΚΗΣ ΧΡΕΟΚΟΠΙΑΣ

Η ΥΠΟΘΕΣΗ MARFIN EGNATIA BANK (MEB)

ΠΡΩΤΟ ΚΕΦΑΛΑΙΟ: Η ΔΑΝΕΙΟΔΟΤΙΚΗ ΠΟΛΙΤΙΚΗ ΤΟΥ ΟΡΓΑΝΙΣΜΟΥ ΥΠΕΡ ΤΩΝ ΜΕΓΑΛΩΝ ΕΠΙΧΕΙΡΗΣΕΩΝ ΚΑΙ Η ΔΙΑΔΙΚΑΣΙΑ ΣΥΣΣΩΡΕΥΣΗΣ ΤΟΥ ΕΛΛΗΝΙΚΟΥ ΙΔΙΩΤΙΚΟΥ ΧΡΕΟΥΣ


ΠΡΟΛΟΓΟΣ

Στην κλασική αρχαιότητα ο άνθρωπος αποτελούσε τον ακρογωνιαίο λίθο του Kράτους του οποίου ο κυριότερος ρόλος έγκειτο στην κάλυψη των ζωτικών αναγκών των κατοίκων του. Η ανάπτυξη του εμπορίου και η υιοθέτηση όλο και πιο πολύπλοκων πιστωτικών τεχνικών συνέβαλαν στο μετασχηματισμό του αριστοτελικού "πολιτικού ζώου" σε ένα "οικονομικό ον" που ασχολούταν μόνο με την υλική ευημερία του. Αυτή η τάση έχει λάβει ακραίες διαστάσεις στην σημερινή εποχή όπου τα άτομα κρίνονται ως "τμήματα της αγοράς" και υποτάσσονται στην βούληση των ελίτ. Σε αυτό το πλαίσιο εντάσσεται η υπόθεση "ΜARFIN EGNATIA BANK" (MEB), η οποία δημιουργήθηκε το 2006 μετά τη συγχώνευση τριών μικρών τραπεζών ("Marfin", "Εγνατία" και "Λαϊκή"). Το ίδρυμα που διοικήθηκε από τον διαχειριστή του ομίλου "MARFIN INVESTMENT GROUP" (MIG) κ. Ανδρέα Βγενόπουλο έγινε η ελληνική θυγατρική της Λαϊκής Τράπεζας Κύπρου (Marfin Popular Bank) και απορροφήθηκε από την μητρική επιχείρηση στο τέλος του Μαρτίου του 2011. Με αυτήν την σειρά κειμένων ο αρθρογράφος προτίθεται να διευκρινίσει την διαδικασία συσσώρευσης των μη εξυπηρετούμενων δανείων της MEB και την μεταβίβασή τους στο κυπριακό δημόσιο χρέος.


ΤΑ ΑΠΟΤΕΛΕΣΜΑΤΑ ΤΗΣ ΚΟΙΝΗΣ ΕΠΙΘΕΩΡΗΣΗΣ ΤΗΣ ΤΡΑΠΕΖΑΣ ΤΗΣ ΕΛΛΑΔOΣ ΚΑΙ ΤΗΣ ΚΕΝΤΡΙΚΗΣ ΤΡΑΠΕΖΑΣ ΤΗΣ ΚΥΠΡΟΥ (ΜΑΡΤΙΟΣ - ΙΟΥΛΙΟΣ  ΤΟΥ 2009)

Τα προβλήματα της MEB ξεκίνησαν τον Μάρτιο του 2009, όταν μια κοινή επιθεώρηση της Τράπεζας της Ελλάδος και της Κεντρικής Τράπεζας της Κύπρου πιστοποίησε ότι επρόκειτο για εταιρεία υψηλού κινδύνου, αφού η Διοίκηση της MIG δεν τήρησε τους πιο στοιχειώδεις κανόνες περί σύγκρουσης συμφερόντων προκειμένου να χρηματοδοτηθούν επιχειρήσεις στενά συνδεδεμένες με τον όμιλο χωρίς να υποχρεωθούν να υποβάλουν τις αντίστοιχες εξασφαλίσεις. Βασικά, δυο ήταν οι τομείς δραστηριότητας της τράπεζας:

A) Η παροχή δανείων στην MIG για την αγορά μετοχών εγχώριων εταιρειών των οποίων η πώληση ήταν η κύρια εγγύηση. Ωστόσο, η κατάρρευση της τιμής τους θα προκαλούσε ένα προφανή πιστωτικό κίνδυνο. Σύμφωνα με δεδομένα που αφορούν το 2008, η MEB είχε επενδύσει 1.3 δισεκατομμύρια ευρώ για αυτόν τον σκοπό και τέτοιο ποσό αντιστοιχούσε στο 11% του χρηματοπιστωτικού χαρτοφυλακίου και στο 130% της κεφαλαιακής βάσης της.

Β) Η παροχή δανείων στην MIG για επενδύσεις στην εθνική αγορά. Οι επιθεωρητές διαπίστωσαν παρατυπίες στα συμβατικά έγγραφα και συστηματικές παραβιάσεις της κοινοτικής οδηγίας MIFID που καθορίζει ένα ενιαίο νομικό πλαίσιο για τη λειτουργία των χρηματοοικονομικών υπηρεσιών στις 28 χώρες της Ευρωπαϊκής Ένωσης.


Ας δούμε αναλυτικά μερικά παραδείγματα που αποκαλύπτουν τον φαύλο κύκλο αυτών των συναλλαγών:


A) Ανασφάλιστο δάνειο ύψους 4 εκατομμυρίων ευρώ που χορηγήθηκε για επενδυτικούς σκοπούς στον όμιλο ελληνικών επιχειρήσεων τροφίμων "VIVARTIA" ο οποίος ελέγχεται από την MIG από το 2007, 

B) Δάνειο ύψους 28.500.000 ευρώ που χορηγήθηκε στην MIG για την αγορά μετοχών της κυπριακής εταιρείας γαλακτοκομικών προϊόντων "CHRISTIES DAIRIES" η οποία ανήκει στον όμιλο "VIVARTIA" από το 2007,

Γ) Δάνειο ύψους 30.000.000 ευρώ που χορηγήθηκε στην MIG για την αγορά μετοχών της κυπριακής εταιρείας "Cyprus Tourism and Development Ltd." η οποία κατέχει και διαχειρίζεται το ξενοδοχείο Χίλτον στη Λευκωσία,

Δ) Δάνειο ύψους 19.000.000 ευρώ που χορηγήθηκε στην MIG για την αγορά μετοχών της "Λητώ Συμμετοχών A.E." η οποία διαχειρίζεται το αθηναϊκό μαιευτήριο "Λητώ", ίδρυμα στενά συνδεδεμένο στον οργανισμό που διοικείτο από τον κ. Βγενόπουλο,

Ε) Δάνειο ύψους 220.000.000 ευρώ που χορηγήθηκε για επενδυτικούς σκοπούς στο αθηναϊκό Θεραπευτικό και Διαγνωστικό Κέντρο "ΥΓΕΙΑ Α.Ε." το οποίο το διαχειρίζεται η MIG.


Στην έκθεσή της, οι επιθεωρητές συμβούλευσαν στους υπεύθυνος της MEB να προχωρήσουν σε σημαντικές βελτιώσεις σε κρίσιμους τομείς όπως της Διεύθυνσης Υποστήριξης Πιστώσεων και Διεθνούς Εμπορίου, της Διεύθυνσης Διαχείρισης Κινδύνων, της Διεύθυνσης Χρεών προς Είσπραξη, της Αξιολόγησης Κινδύνου Αγοράς και Διαχείρισης Διαθεσίμων, της Κερδοφορίας του Ομίλου, της Διεύθυνσης Εσωτερικού Ελέγχου, της Μονάδας Πληροφορικής, του Ελέγχου για την Οδηγία MIFID, κατά τα αλλα. 


ΤΑ ΑΠΟΤΕΛΕΣΜΑΤΑ ΤΗΣ ΕΠΙΘΕΩΡΗΣΗΣ ΤΗΣ ΚΕΝΤΡΙΚΗΣ ΤΡΑΠΕΖΑΣ ΤΗΣ ΚΥΠΡΟΥ (2011)

1 - ΤΑ ΔΑΝΕΙΑ ΠΟΥ ΧΟΡΗΓΗΘΗΚΑΝ ΣΤΗΝ MARFIN INVESTMENT GROUP (MIG)

Μετά την απορρόφηση της MEB εκ μέρους της Λαϊκής Τράπεζας (Marfin Popular Bank), η Κεντρική Τράπεζα της Κύπρου ανέλαβε μια δεύτερη επιθεώρηση της οποίας τα συμπεράσματα γνωστοποιήθηκαν στον Διευθύνοντα Σύμβουλο  του χρηματοπιστωτικού ιδρύματος κ. Ευθύμιο Μπουλούτα μέσω επιστολής ημερομηνίας 24 Αυγούστου 2011. Οι αρμόδιες αρχές παρατήρησαν ότι η τράπεζα περιορίστηκε να καλύψει τις ζημιές της MIG που ξεπέρασαν τα 2 δισεκατομμύρια ευρώ κατά την τη διάρκεια του 2010 και του πρώτου τρίμηνου του 2011. Με λίγα λόγια, η λεηλασία καθιερώθηκε ως συνήθης πρακτική.

Ας εξετάσουμε καλύτερα την κατάσταση με ατράνταχτα στοιχεία:


Α) Το 2010 η MIG επωφελήθηκε από ένα κοινοπρακτικό ομολογιακό δάνειο (πρόκειται για χρηματοδότηση μιας η περισσοτερων μεγάλων επιχειρήσεων εκ μέρους διάφορων πιστωτικών ιδρυμάτων η οποία αφορά σημαντικές ποσότητες), όπου συμμετείχε και η MEB επενδύοντας 15.000.000 ευρώ καλυμμένα εν μέρει από μετοχές της "VΙVΑRΤΙΑ". Καθώς η εταιρεία διένυε μία περίοδο τόσο σοβαρής ύφεσης ώστε να διαγραφεί από το ΧAΑ από τις 24 Ιανουαρίου 2011, η αξία τους έπεσε στο 53% του συνολικού ποσού του δανείου. Με αυτόν τον τρόπο δημιουργήθηκε ένα σημαντικό άνοιγμα εξασφαλίσεων.

B) Το 2010 η "VIVARTIA" κέρδισε 403 εκατομμύρια ευρώ από την πώληση της "CHIPITA" και μετά την ολοκλήρωση της συναλλαγής ο όμιλος σχεδίασε να αναχρηματοδοτήσει τις υπόλοιπες θυγατρικές. Για το σκοπό αυτό, χορηγήθηκε ένα επιπλέον κοινοπρακτικό ομολογιακό δάνειο που η MEB χάρισε 79.500.000 ευρώ, ενώ η αξία των εξασφαλίσεων δεν υπέρβαινε τα 20 εκατομμύρια ευρώ.

Γ) Σε μια επιστολή ημερομηνίας 10 Μαΐου 2010 η MEB ειδοποίησε ότι η "OLYMPIC AIR A.E." θα έχαιρε ευνοϊκής μεταχείρισης σχετικά με τους ορους πληρωμής για την έκδοση εγγυητικών επιστολών και λοιπές τραπεζικές εργασίες.

Δ) Η MEB παραβίασε την πιστωτική πολιτική της που προέβλεπε ότι οι πελάτες θα μπορούσαν να εξαργυρώσουν τις επιταγές μονο τρεις ημερες μετά την κατάθεση τους στο συγκεκριμένο ίδρυμα. Πάντως, ένα εσωτερικό σημείωμα ημερομηνίας 11 Φεβρουαρίου 2011 επέτρεπε σε εταιρείες με στενούς δεσμούς με την MIG την άμεση πρόσβαση στα χρήματα προκειμενου να τις διευκολύνει στις συναλλαγές τους. Έτσι, η τράπεζα δώρησε 9.650.000 ευρώ.



2 - ΤΑ ΔΑΝΕΙΑ ΠΟΥ ΧΟΡΗΓΗΘΗΚΑΝ ΣΤΟΝ ΟΜΙΛΟ ΖΟΛΩΤΑ

Κατά την διάρκεια των ερευνών τους, οι επιθεωρητές βρήκαν πολλά διάσημα πρόσωπα μπλεγμένα σε αυτήν την υπόθεση διαφθοράς. Ένα από αυτά ήταν ο Χιώτης εφοπλιστής κ. Μιχαήλ Ζολώτας, ο οποίος σχετιζόταν με τον Βγενόπουλο για κοινά εμπορικά συμφέροντα. Μέσω της "Focus Maritime"  - μιας ναυτιλιακής εταιρείας ιδιοκτησίας του με έδρα τις Νήσους Μάρσαλ - ο Ζολώτας έστειλε τον Ιούλιο του 2007 1 εκατομμύριο ευρώ στο λογαριασμό της συμβουλευτικής εταιρείας της κόρης του πρώην Διοικητή της Κεντρικής Τράπεζας της Κύπρου κ. Χριστόδουλου Χριστοδούλου του οποιου η θητεία έληξε τον προηγούμενο μηνα. Σύμφωνα με κυπριακές πηγές, ο αξιωματούχος πήρε την μίζα αφού το 2006 επέτρεψε στην MIG να αποκτήσει την Λαϊκή Τράπεζα Κύπρου παρά τις παρατυπίες της διαδικασίας. Η πράξη του μεγιστάνα ήταν αναμφίβολα μια χειρονομία ευγνωμοσύνης για την προνομιακή θέση του σαν πελάτη της MEB. 

Nα παραθέσουμε αδιάσειστα στοιχεία για να σχηματίσει κανείς καμία ιδέα για τις τεράστιες διαστάσεις της απάτης:


Α) Η τράπεζα διοχέτευσε 600.000.000 ευρώ στον όμιλο Ζολώτα. Τα τέσσερα πέμπτα αυτού του ποσού προορίστηκαν για τις εξής επιχειρήσεις:
   
1) Focus Maritime (254.000.000 ευρώ),
2) Terra Stabile - κτηματομεσιτική εταιρία με έδρα την Αθήνα - (238.900.000 ευρώ).

Τον Φεβρουάριο του 2007, η MEB παραχώρησε 80.000.000 ευρώ στη "Focus Maritime" η οποία ενδιαφερόταν να συμμετάσχει στην έκδοση μετατρέψιμων ομολόγων εκ μέρους της "NewLead Holdings Ltd.", μιας ναυτιλιακής εταιρίας του ομίλου Ζολώτα με έδρα την Αθήνα. Ύστερα, η ποσότητα ανέβηκε στα 240 εκατομμύρια ευρώ αφού ο εφοπλιστής σκόπευε να καταλάβει εξέχουσα θέση στη διεθνή κερδοσκοπική αγορά. Ωστόσο, η τράπεζα δεν χρησιμοποίησε την μεγαλύτερη χρηματοοικονομική μόχλευση η οποία θα διεύρυνε το χάσμα ανάμεσα στο συνολικό ποσό που θα διέθετε ο επιχειρηματίας και το κεφάλαιο επενδυμένο από τον ίδιο σε τέτοια συναλλαγή έτσι ώστε οι απώλειες να μπορούσαν να οριοθετηθούν μέσα σε αυτό το περιθώριο ασφαλείας. Οι ζημιές συσσωρεύτηκαν εξαιτίας των διακυμάνσεων που παρουσίασε η ισοτιμία του ιαπωνικού γεν έναντι του ευρώ και η MEB αύξησε την έκθεσή της στον κ. Ζολώτα μέχρι τα 254 εκατομμύρια ευρώ αντί να βάλει τέρμα στα κερδοσκοπικά παιχνίδια του.

Β) Η σύμβαση μεταξύ της MEB και της Focus Maritime δεν κατοχύρωνε το δικαίωμα του τραπεζικού οργανισμού να εισπράξει τα οφειλόμενα σε ευρώ σύμφωνα με προκαθορισμένη ισοτιμία. Κατά συνέπεια, η ισχυρή υποτίμηση του γεν πολλαπλασίαζε τις πιθανότητες πιστωτικού κινδύνου.

Γ) Το 85% των εξασφαλίσεων αποτελείτο από τα μετατρέψιμα ομόλογα της "NewLead Holdings Ltd.". Επρόκειτο για μια πολύ επικίνδυνη πρωτοβουλία, επειδή εξαρτιόταν από την οικονομική δύναμη της εταιρείας.

Δ) Η ελάχιστη αξία των εξασφαλίσεων θα έπρεπε να καλύψει το 100% του δανείου και όμως έφτανε μονο στο 40%


Σύμφωνα με τις εκτιμήσεις των επιθεωρητών, η MEB πιθανόν να έχει υποστεί ζημιές ύψους 220.000.000 ευρώ λόγω των παραπάνω αθέμιτων πρακτικών.


3 - ΤΑ ΔΑΝΕΙΑ ΠΟΥ ΧΟΡΗΓΗΘΗΚΑΝ ΣΤΟΝ ΟΜΙΛΟ ΚΟΥΜΠΑ

Μεταξύ των οφειλετών υπάρχει και ο κ. Γεώργιος Κούμπας, ένας γνωστός επιχειρηματίας που κυριάρχησε στην ελληνική ασφαλιστική αγορά κατά τη διάρκεια της δεκαετίας του '90. Ο μεγιστάνας συνήψε διάφορα δάνεια συνολικού ύψους 100.950.000 ευρώ που ποτέ δεν επιστράφηκαν. Προκειμένου να ωραιοποιηθεί αυτή η απαράδεκτη κατάσταση, η MEB απέκτησε για 8.800.000 ευρώ την "B.E.K. A.E", μια εταιρεία του ομίλου Κούμπα που ασχολούταν με επενδύσεις με εμπορικά ακίνητα. Η συναλλαγή έγινε σε χαμηλότερη τιμή σε σχέση με την πραγματική αξία της επιχείρησης, αλλά αυτό διαγράφηκε από τα λογιστικά βιβλία της τράπεζας στις 31 Δεκεμβρίου 2010. Έτσι, ο οργανισμός έχασε 6.729 ευρώ.


4 - ΤΑ ΔΑΝΕΙΑ ΠΟΥ ΧΟΡΗΓΗΘΗΚΑΝ ΣΤΟΝ ΠΡΟΕΔΡΟ ΤΗΣ ΤΡΑΠΕΖΑΣ ΠΕΙΡΑΙΩΣ K. ΜΙΧΑΗΛ ΣΑΛΛΑ

Στις αρχές του 2011 η Τράπεζα Πειραιώς ανακοίνωσε την έναρξη διαδικασίας αύξησης κεφαλαίου και ο παντοδύναμος Πρόεδρος της κ. Μιχαήλ Σάλλας έλαβε δάνειο ύψους 113.000.000 ευρώ από τη MEB. Τα κονδύλια κατατέθηκαν σε τρεις κυπριακές υπεράκτιες εταιρείες (KAEO Enterprises, Shent Enterprises και Benidver Investments) που ανηκαν στον τραπεζίτη και τα δυο παιδιά του. Ύστερα, ο κ. Σάλλας επένδυσε τέτοιο ποσό προκειμενου να προχωρήσει σε αύξηση του μεριδίου του στο χρηματοπιστωτικό ίδρυμα. Οι εξασφαλίσεις αποτελούνταν από εγγυητική επιστολή της Πειραιώς ύψους 7.500.000 ευρώ και μετοχές του ιδιου οργανισμού αξίας € 66.200.000 ευρώ. Ωστόσο, το 2012 η τιμή τους βυθίστηκε εξαιτίας της σοβαρής οικονομικής κρίσης που έπληξε την Ελλάδα. Σύμφωνα με τα συμπεράσματα των επιθεωρητών, το χρέος του κ. Σάλλα θα ανερχόταν σε 87.800.000 ευρώ που η MEB ποτέ δεν τα είσπραξε.

Τέτοιες πράξεις ευνοήθηκαν από τη στενή σχέση μεταξύ των προαναφερομένων προσωπων: το 2001 ο κ. Σάλλας εισήγαγε τον κ. Βγενόπουλο στον χρηματοπιστωτικό τομέα πουλώντας του την PRIME BANK. Τον Μάρτιο του 2010, η MIG εξέδωσε ομόλογο ύψους 252.000.000 ευρώ που κυρίως προσέλκυσε το ενδιαφέρον εταιριών με στενούς δεσμούς με τον Πρόεδρο της Πειραιώς. Στον επιχειρηματικό κόσμο, οι "φίλοι" ποτέ δεν μπλέκονται σε εμφυλιους πολέμους στοχεύοντας να ιδιωτικοποιήσουν τα κέρδη τους, ενώ οι απώλειες κοινωνικοποιούνται.....

Στο επόμενο κεφάλαιο θα συνεχίσουμε την ανάλυση περί της διαδικασίας συσσώρευσης του ιδιωτικού ελληνικού χρέους.

Antonio Giovetti



Φωτό: moneyexpertgr.files.wordpress.com, 4.bp.blogspot.com,roulismaroulis.files.wordpress.com 


Πηγές 

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http://mononews.gr/vgenopoulos-enas-epithetikos-ke-drastirios-epichirimatias-pou-iche-pollous-filous-ke-pollous-echthrous/88747





Marfín Egnatía Bank (Primera parte)



CHIPRE: HISTÓRIA DEL FRACASO POLÍTICO Y ECONÓMICO DE UN PAÍS

EL CASO MARFÍN EGNATÍA BANK

PRIMER CAPÍTULO: LA POLÍTICA CREDITICIA DE LA INSTITUCIÓN EN FAVOR DE GRANDES EMPRESAS Y EL PROCESO DE ACUMULACIÓN DE LA DEUDA PRIVADA GRIEGA


INTRODUCCIÓN 

En la antigüedad clásica, el individuo era considerado el pilar fundamental del Estado cuya función principal radicaba en satisfacer las necesidades vitales de sus habitantes. El desarollo del comercio y la adopción de técnicas económicas cada vez más complejas contribuyeron a la transformación del "homo politicus" aristotélico en un sujeto preocupado únicamente por su bienestar material y dicho planteamiento ha sido llevado al extremo en la actualidad en la que las personas son calificadas como "segmentos de mercado" sometidas a la voluntad de las élites internacionales. En esta óptica se encuadra el caso "Marfín Egnatía Bank" (MEB), una entidad financiera que fue creada en 2006 tras la fusión entre tres pequeños bancos (Marfín, Laikí y Egnatía). La organización, gestionada por el administrador del conglomerado empresarial "Marfín Investment Group" (MIG) Andreas Vgenopoulos, se convirtió en la filial griega de Marfín Popular Bank (la antigua Cyprus Popular Bank)  y fue absorbida por ésta a finales de Marzo de 2011. Esta serie de artículos pretenden explicar el origen de los activos tóxicos helenos y su posterior traspaso a la deuda pública chipriota.  


LOS RESULTADOS DE LA INSPECCIÓN CONJUNTA ENTRE EL BANCO DE GRECIA Y EL BANCO CENTRAL DE CHIPRE (MARZO-JULIO DE 2009)

Los problemas que afectaron a Marfín Egnatía Bank (MEB) empezaron en Marzo de 2009, cuando una inspección conjunta entre el Banco de Grecia y el Banco Central de Chipre certificó una tasa de morosidad muy elevada debido a que la cúpula de Marfín Investment Group (MIG) obviaba constantemente las normas más elementales sobre conflictos de intereses con el objetivo de financiar sus propios negocios y los de firmas estrictamente vinculadas al holding sin la obligación de presentar los respectivos avales. La actividad del banco se desarrollaba a través de dos directrices: 

A) Concesión de créditos a Marfín Investment Group (MIG) para la adquisición de acciones de empresas nacionales cuya venta constituía la garantía principal de tal operación. Sin embargo, el desplome del precio de éstas a causa de la depresión económica producía riesgos efectivos de impago. Según los datos relativos al ejercicio 2008, la institución había empleado 1.3 mil millones de euros para esta finalidad, algo que correspondía al 11% de su cartera de crédito y al 130% de su capital básico (es decir, los recursos financieros indispensables para estar en condiciones de hacer frente a eventuales pérdidas)

B) Concesión de créditos a Marfín Investment Group (MIG) para inversiones en el mercado interno. Los inspectores detectaron irregularidades en la formalización de los mismos y violaciones sistemáticas de la Directiva sobre Mercados de Instrumentos Financieros (conocida como MIFID por sus siglas en inglés) que introduce un marco legal único para su funcionamiento en los 28 Países de la Unión Europea. 

Veamos en detalles algunos ejemplos que ilustren el círculo vicioso de estas transacciones: 


A) Crédito sin avales por el valor de 4 millones de euros concedido para fines de inversión a la agrupación de empresas griegas del sector alimenticio VIVARTIA controlada por Marfín Investment Group (MIG) desde el año 2007; 

B) Crédito por el valor de 28.5 millones de euros concedido a Marfín Investment Group (MIG) para la adquisición de acciones de la empresa láctea chipriota "Christies Dairies" perteneciente al grupo VIVARTIA desde el año 2007;

C) Crédito por el valor de 30 millones de euros concedido a Marfín Investment Group (MIG) para la adquisición de acciones de la empresa chipriota "Cyprus Tourism and Development Ltd." que posee y administra el Hotel Hilton de Nicosia; 

D) Crédito por el valor de 19 millones de euros concedido a Marfín Investment Group (MIG) para la adquisición de acciones de la sociedad gestora de la clínica ginecológica ateniense "Litó" ligada a la organización presidida por Vgenopoulos; 

E) Crédito por el valor de 220 millones de euros concedido para fines de inversión al centro terapéutico y diagnóstico ateniense "YGEIA S.A." que se encuentra dentro de la órbita de Marfín Investment Group (MIG). 

En su informe, los inspectores recomendaban mejoras sustanciales en sectores cruciales del banco como los de Apoyo al Crédito, Gestión de Riesgos, Cobro de Deudas, Evaluación de Riesgos de Mercado, Comercio Exterior, Rentabilidad, Política de Seguridad, Control Interno, la Unidad Informática y Control de Aplicación de la Directiva sobre Mercados de Instrumentos Financieros (MIFID) entre otros. 


LOS RESULTADOS DE LA INSPECCIÓN EFECTUADA POR EL BANCO CENTRAL DE CHIPRE (2011)


1 - LOS CRÉDITOS CONCEDIDOS A MARFIN INVESTMENT GROUP (MIG)

Tras la absorción de Marfín Egnatía Bank (MEB) por parte de su empresa matriz, el Banco Central de Chipre acometió una segunda inspección cuyas conclusiones fueron notificadas al Consejero Directivo de la institución financiera Eythymios Bouloutas a través de una carta escrita en fecha 24 de Agosto de 2011. Las autoridades competentes observaron que el banco se ceñía a tapar las pérdidas de Marfín Investment Group (MIG) que sobrepasaron los 2 mil millones de euros a lo largo del ejercicio 2010 y el primer trimestre de 2011. En pocas palabras, el saqueo se había consolidado como práctica habitual. 

Analicemos la situación mediante algunos datos reveladores:
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A) En 2010 Marfín Investment Group (MIG) se benefició de un préstamo sindicado (es decir, una operación realizada por uno o varios bancos en favor de grandes empresas que implica sumas considerables) en el que Marfín Egnatía Bank (MEB) invirtió 15 millones de euros. Los avales estaban representados también por acciones de VIVARTIA, que en ese período se encontraba en horas tan bajas que dejó de cotizar en la Bolsa de Atenas a partir del día 24 de Enero de 2011. A raíz de este hecho, las garantías proporcionadas alcanzaban sólo el 53% de la cuantía recibida generando un evidente riesgo de morosidad.   

B) En 2010 VIVARTIA ingresó 403 millones de euros a través de la venta de CHIPITA y tras la conclusión del negocio el grupo empresarial planeaba refinanciar las demás filiales. A este efecto, se acordó conceder un ulterior préstamo sindicado en el que Marfín Egnatía Bank (MEB) se había comprometido a aportar 79.5 millones de euros aunque el valor de los avales no rebasaba los 20 millones de euros. También en este caso, el banco quedaba expuesto al riesgo de crédito. 

C) En una carta redactada en fecha 10 de Mayo de 2010, Marfín Egnatía Bank (MEB) comunicó a OLYMPIC AIR A.E. (la antigua compañía de bandera griega adquirida por Marfín Investment Group (MIG) en Marzo de 2009) que hubiera recibido un trato de favor en lo que atañía a las condiciones de pago por la emisión de bonos y demás servicios bancarios.

D) Marfín Egnatía Bank (MEB) había infringido su política crediticia que preveía que los clientes pudiesen cobrar sus cheques sólo tres días después de la fecha de su presentación ante la entidad financiera. Sin embargo, una circular interna publicada el 11 de Febrero de 2011 permitía a las sociedades vinculadas a Marfín Investment Group (MIG) acceder al dinero el mismo día para otorgarles la oportunidad de operar en el mercado con más rapidez. De esta forma, la institución financiera había "regalado" 9.65 millones de euros.

    

2 - LOS CRÉDITOS CONCEDIDOS AL GRUPO ZOLOTAS

En sus investigaciones, los inspectores hallaron diversos nombres célebres involucrados en esta trama corrupta. Uno de ellos es el del armador griego Mijaíl Zolotas, un personaje siniestro asociado a Vgenopoulos por intereses mercantiles comunes. A través de "Focus Maritime",una empresa naviera de su propiedad con sede fiscal en las Islas Marshall, Zolotas depositó en Julio de 2007 un millón de euros en la cuenta de la sociedad de consultoría de la hija del ex Gobernador del Banco Central de Chipre Jristodoulos Jristodolou cuyo mandato acababa de finalizar. De acuerdo con las informaciones procedentes de la isla, el alto cargo consiguió la propina por haber permitido a Marfin Investment Group (MIG) adquirir en 2006  Cyprus Popular Bank pese a las irregularidades que plagaron el proceso. Sin duda, la acción del magnate del comercio marítimo se puede interpretar como un gesto de agradecimiento a la organización liderada por Andreas Vgenopoulos por su estatus de cliente privilegiado de Marfín Egnatía Bank (MEB). 

También en este apartado es preciso añadir elementos aclaradores para poder concebir las dimensiones de la estafa: 


A) La institución financiera inyectó 600 millones de euros en sociedades del grupo Zolotas. Las cuatro quintas partes de tal cantidad fueron destinadas a las siguientes firmas:

1) Focus Maritime (254 millones de euros)
2) Terra Stabile - inmobiliaria con sede en Atenas - (238.9 millones de euros).

En Febrero de 2007, Marfín Egnatía Bank (MEB) concedió a Focus Maritime 80 millones de euros que la entidad empleó para poder participar en el proceso de emisión de bonos canjeables por parte de "NewLead Holdings Ltd.", una compañía de navegación con sede en Atenas gestionada por Zolotas. Enseguida, la cuantía subió a los 240 millones de euros puesto que el armador pretendía ocupar una posición prominente en el mercado especulativo internacional. Sin embargo, el banco no utilizó el apalancamiento máximo que hubiera ampliado la diferencia entre el capital libre y el usado para que las pérdidas pudiesen ser contenidas dentro de este colchón de seguridad. Como Zolotas había invertido en yenes en un momento en el que la moneda nipona fluctuaba a la baja, los perjuicios superaron el margen en el que podía operar y la institución de crédito, en vez de llamar a la atención al empresario cerrando dichas especulaciones, aumentó su exposición que ya alcanzaba los 254 millones de euros.

B) El convenio entre Marfín Egnatía Bank (MEB) y Focus Maritime no contemplaba el derecho de la organización financiera a cobrar la deuda en euros a una tasa de cambio predeterminada. De esta forma, la fuerte desvalorización del yen multiplicaba las probabilidades de un riesgo de crédito. 

C) El 85% de los avales estaban constituidos por los bonos canjeables de "NewLead Holdings Ltd.", una iniciativa muy arriesgada ya que estaba sujeta a la pujanza económica de la empresa. 

D) El valor mínimo de los avales tenía que situarse en el 100% del importe del crédito y, sin embargo, apenas llegaba al 40%.

Conforme a las estimaciones de los funcionarios del Banco Central de Chipre, Marfín Egnatía Bank (MEB) pudo sufrir pérdidas por el valor de 220 millones de euros debido a todas estas negligencias.  


3 - LOS CRÉDITOS CONCEDIDOS AL GRUPO KOUMBAS

Entre los deudores de renombre se encuentra también Georgios Koumbas, un empresario que había dominado el mercado griego de seguros durante los años '90. El magnate contrajo varios créditos por el valor de 100.95 millones de euros que nunca fueron devueltos. Para amenizar esta situación insostenible, el banco adquirió por 8.8 millones de euros "B.E.K. A.E", una sociedad del grupo Koumbas que se ocupava de inversiones en inmuebles de uso comercial convirtiéndola en su filial. La transacción se había realizado a un precio inferior al valor de tasación, pero este dato fue cancelado de la contabilidad oficial de "Marfín Egnatía Bank" (MEB) en fecha 31 de Diciembre de 2010. De esta forma, la entidad financiera perdió 6.729 euros.



4 - LOS CRËDITOS CONCEDIDOS AL PRESIDENTE DEL BANCO DEL PIREO MIJALIS SALLAS

A comienzos de 2011, el Banco del Pireo había anunciado un aumento de capital y su todopoderoso Presidente Mijalis Sallas logró un crédito de 113 millones de euros por parte de Marfín Egnatía Bank (MEB). El dinero fue depositado en tres sociedades off-shore chipriotas (KAEO Enterprises, Shent Enterprises y Benidver Investments) pertenecientes al banquero y a sus dos hijos y luego fue utilizado para que Sallas incrementase sus cuotas accionariales en la institución de crédito. Los avales consistían en un bono de 7.5 millones de euros emitido por el Banco del Pireo y acciones de la misma entidad por un valor de 66.2 millones de euros. Sin embargo, en 2012 su precio se había hundido a causa de la grave crisis económica que afectaba al País heleno. Según los cálculos de los inspectores del Banco Central de Chipre, la deuda de Sallas se había elevado hasta los 87.8 millones de euros que "Marfín Egnatía Bank" (MEB) jamás recuperó. 

Tal operación fue favorecida por la relación estrecha entre las personas implicadas: en 2001 Sallas introdujo a Vgenopoulos en el mundo de las finanzas vendiéndole PRIME BANK y en Marzo de 2010, Marfín Investment Group (MIG) emitió un bono por el valor de 252 millones de euros que atrajo principalmente el interés de sociedades ligadas al dirigente máximo del Banco del Pireo. En los negocios, los "amigos" nunca se declaran guerra y privatizan sus ganancias, mientras las pérdidas se socializan.........

En el próximo capítulo seguiremos con el análisis sobre la acumulación de la deuda privada griega.


Antonio Giovetti. 



Imágenes: moneyexpertgr.files.wordpress.com, 4.bp.blogspot.com,roulismaroulis.files.wordpress.com 


Fuentes: 

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sábado, 31 de diciembre de 2016

Efeitos Memorando (Terceira parte)

CAPÍTULO PRIMEIRO | CAPÍTULO SEGUNDO |


CHIPRE: HISTÓRIA DO FRACASSO POLÍTICO E ECONÔMICO DE UM PAÍS

OS EFEITOS COLATERAIS DO MEMORANDO: A VENDA A PREÇOS DE SALDO DAS SUCURSAIS GREGAS DOS BANCOS CIPRIOTAS

CAPÍTULO TERCEIRO: O PERFIL DO BANCO DO PIREU E AS RAZÕES PROFUNDAS DO SEU "SUCESSO" (MARÇO DE 2013)


INTRODUÇÃO

Desde a antiguidade clássica, a importância de uma gestão ética dos assuntos públicos tem sido salientada por filósofos e escritores em obras que preconizavam um modelo utópico de Estado onde os cidadãos mantinham uma atitude participativa. Na actualidade, a recuperação da centralidade da política - relegada a um papel marginal devido às estruturas sociais complexas - acaba por ser o principal objetivo de movimentos e partidos alternativos que ignoram que o problema é principalmente de natureza financeira e deve ser resolvido com as armas da economia.


OS DETALHES DA ESPOLIAÇÃO: AS REACÇÕES DAS AUTORIDADES CIPRIOTAS 

O acordo com o Banco do Pireu para a venda das sucursais gregas do Banco do Chipre, do Cyprus Popular Bank e do Hellenic Bank se enquadrava num plano de redução drástica do tamanho do sistema bancário cipriota que superava sete vezes as dimensões reais da economia nacional. A operação foi saudada com entusiasmo pelo ex-governador do Banco Central do Chipre Panikos Dimitriadis que afirmou que o negócio tinha fechado em termos satisfatórios para os interesses do País já que o montante arrecadado (524 milhões de euros) correspondia a 66% do valor estimado dos três bancos. No entanto, Dimitriadis caiu em uma contradição óbvia ao admitir que cerca de 500 milhões tinham sido devolvidos aos credores (BCE / Banco Central de Chipre), que em 2012 tinham concedido a Cyprus Popular Bank uma linha de crédito extraordinária (ELA, Assistência de liquidez de emergência). Além disso, altos funcionários do Ministério da Economia jogaram um balde de água fria no otimismo das elites financeiras cipriotas observando que as condições de venda eram muito melhoráveis. Além disso, os máximos dirigentes do Banco do Chipre lamentaram que a liquidação das suas sedes gregas tivesse gerado perdas de cerca de 2 bilhões de euros. 

O convênio foi ratificado "ipso facto" pela Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia.



O COMUNICADO OFICIAL DO BANCO DO PIREU E OS BENEFÍCIOS ECONÔMICOS DA AQUISIÇÃO

Após a conclusão das negociações, os membros do Conselho Executivo do Banco do Pireu afirmaram que a venda tinha sido proveitosa tanto para a entidade que assim expandia a sua rede na Grécia, como para as três instituições de crédito cipriotas que tinham cobrado uma quantia muito maior que a que tinham recebido outros bancos estrangeiros para transferir a terceiros suas atividades em território helénico. Para este fim, deve-se notar que o comprador obteve um lucro líquido de 3,6 mil milhões de euros, devido, principalmente, ao fato de que a quantidade paga pela aquisição das sucursais gregas do Banco do Chipre, do Cyprus Popular Bank e do Hellenic Bank foi muito menor do que o seu valor de face (a diferença foi calculada em cerca de 3,4 mil milhões de euros, o que na linguagem financeira é definido com o termo de deságio). 

As conversações com os licitantes (Alpha Bank, Banco Nacional da Grécia, Banco do Piréu e Banco Postal Helénico) foram abordadas pelo Fundo Helénico de Estabilidade Financeira que exigia que o processo de adaptação das três entidades cipriotas na nova realidade fosse completado com rapidez e eficácia. No seu comunicado oficial, o Banco do Pireu justificou sua escolha mencionando uma série de operações empresariais que resultaram na aquisição de mais de 15 grupos de crédito ao longo dos últimos 15 anos: o caso mais assombroso ocorreu no verão de 2012, quando o governo do conservador Antonis Samarás cedeu a essa companhia a parte boa do Banco Agrícola da Grécia para a módica quantia de 95 milhões de euros, enquanto o Estado, devastado pelas políticas destrutivas do Memorando, se comprometia a cobrir o risco de crédito. Na primavera de 2013, aconteceu outra façanha histórica: a absorção da subsidiária ateniense do Banco Comercial Português - que desde 2004 opera sob a marca "Millennium" - por um milhão de euros. O preço de venda tão baixo foi atribuído às enormes dívidas com a empresa-mãe que recapitalizou a sucursal através de uma injecção de 400 milhões de euros. Nesta altura, é necessário analisar os factores que determinaram o sucesso tão repentino de um banco que em 2012 tinha sido muito afetado pelo perdão de 50% da dívida soberana grega.


AS RELAÇÕES AMIGÁVEIS ENTRE OS DIRIGENTES DO BANCO DO PIREU E DO CYPRUS POPULAR BANK E A PASSIVIDADE DO BANCO DA GRÉCIA

Uma análise acurada sobre este escândalo deve ter em conta as regras não escritas que regem o funcionamento da sociedade grega e determinam a partição do poder entre aqueles que estão mais estreitamente ligados às famílias que têm dominado a cena política e económica do País nos últimos quarenta anos.

A história deste assunto muito obscuro remonta a 2001, quando o empresário grego Andreas Vgenopoulos, administrador da holding "Marfin Investment Group" adquiriu o Prime Bank, uma pequena entidade financeira de propriedade do Banco do Pireu, que foi renomeado Marfin Bank. Em 2006, o magnata ateniense assumiu 21,6% de Cyprus Popular Bank e reforçou o seu poder econômico: a fusão entre a instituição gerida por ele mesmo e os bancos Laikí e Egnatia resultou num novo sujeito (Marfin Egnatia Bank), que se tornou na subsidiária do grupo cipriota em território grego até a sua absorção ocorrida em 2011. Em Março de 2010, "Marfin Investment Group" emitiu um bônus pelo valor de 252 milhões de euros, que atraiu principalmente o interesse de empresas relacionadas com Vgenopoulos e o todo-poderoso Presidente do Banco do Pireu Michalis Sallas. No mundo das finanças a troca de favores é uma prática comum: uma auditoria encomendada pelo Conselho de Administração do Cyprus Popular Bank ao longo de 2012 certificou que no ano anterior Vgenopoulos tinha autorizado um empréstimo de 113 milhões de euros de modo a que Sallas pudesse aumentar as suas quotas de capital no Banco do Pireu. O dinheiro foi depositado em três empresas offshore (empresas localizadas em países com baixo nível de tributação a fim de ocultar a identidade de seu proprietário) cujos titulares eram Sallas e seus dois filhos. Desta forma, um conluio entre amigos com interesses comuns foi suficiente para destruir um País inteiro com a passividade do ex-Governador do Banco da Grécia Georgios Provopoulos (2008-2014), que precedentemente tinha ocupado as funções de Vice-Presidente do Banco do Pireu.

E a política? Em seu papel de espectadora, sem nenhum poder de decisão.



Antonio Giovetti 


Imagens: pseka.com, www.goldnews.cy



Fontes:

http://www.thepressproject.gr/article/73440

http://www.tovima.gr/finance/article/?aid=504372

http://www.expansion.com/agencia/efe/2013/04/22/18287002.html

http://www.nytimes.com/2013/06/11/business/global/a-wily-banker-reaches-the-top-in-greece.html?pagewanted=all&_r=2

http://kathimerini.com.cy/index.php?pageaction=kat&modid=1&artid=136855

http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-%2F%2FEP%2F%2FTEXT%2BWQ%2BP-2015-004670%2B0%2BDOC%2BXML%2BV0%2F%2FEN&language=ET

https://todossomosgriegos.wordpress.com/2013/02/04/grecia-pasok-y-nd-ante-la-autoridad-judicial-para-que-expliquen-su-enorme-deuda-el-escandalo-del-banco-agricola/

http://directnews.gr/economy/26299-hot-doc-o-attilas-3-exei-prosopo-trapezith.html

http://www.reuters.com/article/2012/07/16/us-greece-banks-idUSBRE86F0CL20120716

http://economico.sapo.pt/noticias/bcp-assina-acordo-para-vender-o-millennium-na-grecia_167543.html

http://www.bankofgreece.gr/Pages/el/Bank/Organization/governingbodies/provopoulos.aspx